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terça-feira, 26 de abril de 2011

Ciência “versus” religião

Ciência “versus” religião

No espaço para comentários do artigo “A ciência VERDADEIRA…”, assim como noutros, tive um debate com uma senhorita que não se expressou bem ao falar do que escrevi e também sobre a religião.

Mesmo alguns debates estando espalhados pelo blog, na medida do possível os disponibilizarei nesta seção para que possa encontrar com mais facilidade.
Um abraço!


Comentário de Maria Lúcia
A necessidade do ser humano em acreditar que algo transcende este “vale de lágrimas” o leva, como diz o poeta Ferreira Gullar, a criar deuses para depois dizer que foram os deuses que o criaram, a ele, ser humano. Leva-o também, acrescento, a comezinhas falhas de lógica, embora, depois, crie toda uma argumentação “lógica” para dizer que não foi ilógico, que não feriu o elementar senso comum.
Assim, o pastor Leandro Quadros, numa crítica comum aos que se sentem incomodado com verdades incômodas, a atribuir à imprensa (argh! já não aguento essa macaqueação ao americanismo “mídia”) uma idolatria (sic) aos cientistas. Mas, olha a contradição, ele busca abonar seu ponto de vista recorrendo a um professor sobre quem, para dar mais peso ao que foi dito, informa sua formação acadêmica em Oxford, o que trai, dentre outras coisas, nosso velho provincianismo, oriundo de nosso complexo de vira-lata (apud Nelson Rodrigues), que precisa sempre dizer que alguém tem um título superior obtido num estabelecimento de ensino lá das Oropas para dar mais credilidade às idéias e opiniões.
Leandro Quadros, ouço dizer, é jornalista. Mas pelo jeito jamais conheceu a vida interna de um órgão de imprensa, de um grande jornal ou revista. Daí, como um neófito na área, vive atribuindo à imprensa um espírito conspiratório. É a velha mania de fanáticos religiosos que em tudo vêem a mão do diabo, a mais providencial figura criada pelas religiões, ocidentais e orientais, pois varia o nome do demo mas a função é a mesma, para poder explicar por que deuses bons permitem a existência do mal.
Certa feita li, já não me lembro onde, que um dia a ciência talvez cure todas as doenças, mas nunca a estupidez humana. E as religiões, como não nos deixa mentir as guerras religiosas, que há milênios acompanham o homem, é a forma mais cínica, porque travestida em bondade e etc & tal, dessa estupidez.

Resposta à Maria Lúcia

Olá, Maria Lúcia,


Deixando de lado seus termos mal-educados – “estupidez” e “neófito” -farei algumas observações sobre o que escreveu.

A necessidade do ser humano de crer em algo que o transcende por si só derruba a teoria evolucionista e suas afirmações. Isso porque, na teoria de Darwin, não há lugar para o religioso. A Antropologia Descritiva prova que por natureza, o ser humano é religioso (estudei Antropologia na Faculdade de Jornalismo e convivi sim com profissionais muito gabaritados. Como pode afirmar algo sobre minha experiência profissional sem me conhecer?). Como a evolução explica essa necessidade intrínseca? A religiosidade e especialmente a consciência moral do ser humano (que Darwin e nenhum filho dele pós-moderno consegue explicar evolutivamente) foram alguns dos pontos que levaram o maior filósofo dos últimos 100 anos (agora não estou citando alguém com Ph.D, já que isso a incomodou) – Antony Flew – a crer em Deus. Durante 50 anos ele combateu a religião, Deus e a teologia (escreveu cerca de 30 obras). E hoje, depois de ser sincero com ele mesmo, disponibilizou o livro “Um Ateu Garante: Deus Existe” (Ediouro).
Por que a imprensa não entrevista uma pessoa dessas? Por que os cientistas criacionistas não têm o mesmo espaço que os darwinistas?


Por que a revista “Época” manipulou uma entrevista que fez com doutores criacionistas de uma de nossas universidades para MENTIR que em nossas faculdades a teoria evolucionista não é ensinada?
Por favor, Maria Lúcia! Qualquer leigo percebe que a imprensa é sim tendenciosa. E, se não for o jornalista que escreve a matéria, é o editor que a distorce quando o assunto é evolução versus criação.
Sou pós-graduando em jornalismo científico e tenho me especializado para divulgar ciência e tecnologia. Um dos temas que mais debatemos com os professores (veja: eles nos ensinam sobre isso) é o de que a mídia coloca o cientista num pedestal e que, para exercermos o jornalismo científico especializado – e sério – precisamos quebrar com esse paradigma. Recomendo que leia mais sobre Wilson da Costa Bueno (sei que ele não gosta do criacionismo, mas, as críticas dele ao chamado “jornalismo científico brasileiro…” devem ser analisadas por qualquer comunicador sério).


E, para finalizar: não culpe a religião pelas maldades do ser humano. A religião saudável faz bem à saúde (isso é comprovado cientificamente). Leia o artigo da Revista Galileu, (abril de 2009) escrito por Edmundo Clairefont, intitulado “Questões de Fé”. Ali verá que as pessoas religiosas têm mais resistência às doenças (entre outras vantagens).


Se seguir o seu “viés” (o que jamais farei) posso afirmar o mesmo em relação à ciência: com suas descobertas tem ajudado e ao mesmo tempo matado a humanidade. O problema não está na ciência e nem na religião, mas, no ser humano que é falho.
Seria justo culpar todos os evolucionistas pelo massacre realizado por Hitler, que tinha como base para suas ações a “evolução” da raça dele?

Para saber a diferença entre uma pessoa religiosa e outra que não o é (não me refiro a todos os ateus, pois, conheço muitos educadíssimos e de ótimos princípios), compare a vida de Madre Tereza de Calcutá com as “obras” de Lênin, Stalin, Hitler… Talvez isso lhe ajude a ver que a estupidez está em afirmar que a ciência é a única forma de conhecimento humano que trás benefícios à humanidade (há ainda mais três: conhecimento filosófico, religioso e senso comum).

Cordialmente,

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